Boneca Russa, um verdadeiro nossa o que está rolando, em formato de série, na Netflix!

Ultimamente, a história de uma pessoa que se vê presa, num looping infinito de dias, tem voltado à popularidade com “A Morte te dá Parabéns”.

Esse tipo de trama instigante começou com Feitiço no Tempo, filme estrelado por Bill Murray e serviu de inspiração direta para Boneca Russa, série da Netflix, que estreou em 2019.

O show estrela Natasha Lyonne, que interpreta Nadia, uma novaiorquina que fica morrendo, constantemente, no seu aniversário de 36 anos, e precisa fazer de tudo para encontrar um jeito de sair desse pesadelo.

A trama poderia ser até repetitiva e se perder, mas não é o caso de Boneca Russa.

Com um roteiro direto, atuações, diálogos engraçados e profundos, essa comédia dramática é perfeita se você quer assistir algo que seja bom e que dê para passar o tempo, ou se gosta de temas filosóficos e existencialistas.

Além de ser produzido por Natasha, a produção também conta com Amy Poehler, que dublou a Alegria de Divertidamente, além de atuar em Parks and Recreation; e a dramaturga Leslye Headland, que, além de ter escrito a série, também escreveu a comédia “Quatro Amigas e um Casamento”.

Com uma pegada de investigação e mistério sobrenatural, a série é bastante dinâmica em sua trama cheia de comédia mórbida e bastante identificável.

Com apenas 10 minutos do primeiro episódio, já sabemos que conteúdo o é bom, e, no fim dele, já queremos saber o que vai rolar no próximo.

Depois dele, queremos saber mais e, quando a gente viu, já terminou os oito episódios, de menos de trinta minutos cada!!!!

Essa é um tipo de experiência que você com certeza vai querer passar, ou para prestar mais atenção em nuances e elementos de cena e personagem, ou só porque você quer ver mais um pouco por causa dos diálogos incríveis.

E, também, por causa de Natasha, que está incrível aqui, como nossa heroína Nadia.

Numa entrevista para o The Guardian, contou que queria escrever algo parecido desde os 16 anos:

Eu vou fazer uma comédia sobre Entre Quatro Paredes [de Jean Paul Sartre] e O Homem em Busca de um Sentido, de Viktor Frankl. Uma comédia sobre o drama e o legado do trauma, essa vai ser uma meia hora engraçada.

Essa questão existencialista é bastante presente, na série, com Nadia sendo niilista e já não vendo sentido na vida.

E quando acontece de ela estar num looping infinito em que se vê presa, ela tenta de tudo para conseguir um meio de sair e também de achar um sentido naquilo tudo.

As escritoras-produtoras são magistrais ao nos responder que nem a vida e o que está acontecendo com Nadia faz sentido e que isso não é, necessariamente, ruim.

Por mais que toque num assunto que nos deixa assustado, elas não querem nos deixar com depressão.

Elas querem apenas contar uma historia adorável e irônica, sem muitas auto explicações, com personagens presos em si próprios, numa jornada de autoconhecimento e libertação.

A historia poderia ser até, em termos de personagem, autobiográfica por parte de Natasha, que teve uma vida conturbada sob os holofotes da Hollywood, e entende muito bem o tipo de personagem que ela interpreta.

Porém, Headland conta, numa entrevista para a Forbes, que Boneca Russa também é sobre ela:

Eu me identifiquei tanto com Nadia. Eu realmente senti que tanta das revelações que ela teve na história, da primeira temporada, é exatamente como eu me senti no final dos meus 20 e começo dos 30 anos. Eu não entendia porque eu continuava repetindo o mesmo comportamento e esperando resultados diferentes.

Boneca Russa é sobre muito mais que suas criadoras: é sobre a humanidade em si, tornando a identificação bastante universal.

O próprio título já nos mostra de cara sobre essa complexidade e profundidade do ser humano, a cada boneca aberta, ou traço de personalidade descontruída, mais uma é revelada e destrinchamos, cada aspecto dela, na série.

Com uma produção comandada, completamente, por mulheres (coisa que foi bem sem querer), se você é mulher, talvez a identificação seja bem mais intensa, por retratar mulheres como elas são: seres humanos cuja sua existência não rodeia homens e maternidade.

Nadia já se mostra uma personagem excêntrica para os padrões atuais do que seria ser mulher: ela é irônica, sarcástica, ao extremo, e tem uma filosofia de vida niilista, o que é bem incomum.

Mas ela é uma personagem bastante humana, com um charme sem igual e espirituosa.

É, basicamente, uma carta de amor deliciosa ao ser mulher, à falta de sentido da vida e a sua imprevisibilidade.

Tomara que a Netflix não dê a louca e cancele o show, porque mesmo com um roteiro redondo, eu preciso de mais existencialismo e sarcasmo com Natasha Lyonne.

Boneca Russa, um verdadeiro nossa o que está rolando, em formato de série, na Netflix!

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